Wake up and smell the coffee

Novembro 30, 2009

Meu pai definitivamente influenciou o meu gosto musical. Claro que sempre houve divergências: ele desdenha minha paixão visceral por Radiohead e as músicas fraquinhas do Muse (como ele mesmo diz). Já eu, não suporto o lirismo eclesiástico (leia-se música de igreja) de umas composições enfadonhas do Bach, que ele adora, nem as cantoras de blues que o acompanham em noites de sexta-feira.

Mas essa relação trouxe contribuições significativas para a minha vida. The Cranberries foi uma delas. Aos 10 anos de idade eu cantava intensamente “whatsinióê, inióêê” – que seria What’s in your head de Zombie. Aos 16, em minha crise depressiva adolescente, ouvi, decorei e dancei todas as músicas deles durante um ano e meio, nonstop. Apesar da excentricidade, Dolores O’Riordan era incrível. Junto com Mike Hogan, Noel Hogan e Fergal Lawler, eles me deixavam ensandecida ao assistir Live in Paris, o único DVD da banda que eu tinha.

O que me entristecia era a certeza de que os quatro não voltariam mais a tocar. Eu jamais teria a oportunidade de gritar as letras de Empty, Animal Instinct, Linger e Promises na frente do palco. Até ontem.

Acordei e me deparei com uma das melhores notícias da minha vida. Depois de mais de seis anos separados, finalmente Cranberries volta à ativa e virá ao Brasil no início de 2010 para quatro apresentações: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre.

Já conto os dias restantes. This is the day.

If today were Friday

Novembro 25, 2009

Eu assistiria ao pôr do sol em cima de algum prédio;
Faria amizade com desconhecidos;
Jogaria tinta colorida nas paredes do quarto;
Compraria algum vinho francês, camembert e truta salmonada para comer sozinha, sem me preocupar em ficar sem dinheiro;
Alugaria 10 filmes para assistir de uma só vez;
Adotaria um filhote abandonado;
Viajaria para um país aleatório do mundo;
Pintaria o cabelo de azul;
Enviaria cartas para pessoas que não me conhecem;
Dançaria ballet para motoristas no sinal vermelho;
Me vestiria de Darth Vader para ir trabalhar.

 

 

icebox

Novembro 18, 2009

Distraidamente, encontrei esses dias um rosto sorridente que me deixara há certo tempo considerável. Tempo preenchido de certezas irregulares, dois ou três rumos, alegrias, inconstância e devaneios.

Os cabelos longos e cacheados, o olhar ingênuo – por vezes amedrontado – e os movimentos delicados que acompanham esse rosto costumavam aparar minhas quedas, quando eu me instigava a pular precipícios e afundar minha mente em abismos de melancolia. Algum dia percebi que não encontrava mais abismos por onde andava – e igualmente percebi que aquelas mãos não mais seguravam as minhas.

Tampouco voltei a pular precipícios, mas se a vejo novamente nas proximidades talvez me deixe guiar por outras direções. Quero me acalmar; andei muito por lugares abissais, solitários ou estuporantes.

Já sem fôlego, levo os pés machucados por caminhos tenebrosos e acidentados. Vou desaparecer, mas talvez alguém me veja por aí.

Outubro 9, 2009

sweet.
cherry tree
blue

hoje acordei com vontade de ser outra pessoa, fazendo outras coisas, em outro lugar…

do peso e da leveza

Setembro 30, 2009

Os raios do sol adentravam desautorizadamente o meu quarto quando senti (e ouvi) aquele zumbido diabólico em cima da mesa, ou na minha cama. Arrancada de um sono breve e precioso, condenando a luz do dia pela sua existência, desliguei o celular e me reacomodei entre travesseiros. Mais meia horinha, só.

Lá se foi meia hora, quarenta minutos, cinqüenta, uma hora e dez, e vinte, e trinta. Finalmente estou atrasada! Me arrasto em direção à vida, tão urgente mas que poderia esperar um pouquinho. Um insuficiente e pouco nutritivo copo de leite e chocolate me acompanhará por longas horas, enquanto corro lentamente contra o tempo, junto pertences e piso na rua.

Então o dia é coreografado: sol quente, ônibus atrasado, coisas demais em braços de menos, muitas pessoas, sacolejos intermináveis. Não preciso chegar na faculdade para descobrir que “a aula vai terminar em 10 minutos”. Aquele copo de leite parece ter sido ontem; com um incômodo no estômago sigo para outra aula. Durmo com os olhos abertos, devaneio sobre o futuro, o fim dos tempos, a tensão no Afeganistão, o preço de uma passagem aleatória para a Tailândia, o almoço na minha casa que eu não comerei, os livros que preciso ler, o sono que estou sentindo – a minha cama…

A sensação agradável de um banho já não me acompanha mais: foi substituída por um cheiro empoeirado, metálico e grudado de suor. Me impressiono com a quantidade de pessoas que pode se apertar num ônibus. Mais sacolejos.

Sorrisos no trabalho, sento à minha mesa. Queria deitar sobre ela e dormir bem uns 40 minutos, mas o telefone acaba de tocar. “Amark Marianne, boa tarde”. Atenderei novecentas e setenta e cinco ligações nas próximas horas e o risco de alguém querer falar diretamente comigo é de otimizados 3%.

Há cinco telefones e outros tantos celulares na minha área. Algumas vezes todos gostam de tocar ao mesmo tempo, o que me deixa com uma incontrolável vontade de atirar num deles ou tirá-los do gancho. Conto as horas, estrebuchando de fome e dor nas costas. A cada toque de telefone eu salto na cadeira, violentada.

Boa noite, até amanhã! (putz). Com sorte pego um ônibus rapidinho.

Dá uma tremenda preguiça trocar de roupa e realizar todo aquele ritual de tortura alongamentos. Requer sempre mais. Me deixa sem fôlego, dobrada ao meio com uma mão nas costas. Me faz grunhir quando erro e transcender quando acerto.

Não tem jeito: a cada démi plié e port de bras, grands battements e rétirés, eu esqueço dores, problemas, brigas e preocupações, fome, sono, o que será das próximas horas ou de amanhã, provas não estudadas, pendências e sofrimentos. Só existe eu, meus movimentos, o momento, a música e a dança.

Setembro 4, 2009

“As pessoas vivem suas vidas atadas, presas, apegadas ao que elas traduzem, aceitam como ‘correto’ e ‘verdadeiro’. Todo ser humando confia e está preso ao seu conhecimento e experiência de vida. E assim definem e chamam de realidade. Mas o que de fato significa ‘correto’ e ‘verdade’?

São apenas conceitos vagos, subjetivos e incertos… a realidade das pessoas pode não passar de uma miragem, de uma ilusão. Podemos considerar então que todas são simplesmente ingênuas por viverem em seu próprio mundo, moldadas, amarradas e cegas por suas próprias crenças”.

Atom Heart Mother

Setembro 3, 2009

A lembrança é meio vaga. Naquele momento, tive a impressão de que todas as pessoas do mundo corriam para o mesmo lugar. E para vários lugares.

Eu só conseguia enxergar vultos deslocando-se apressadamente, gritos, lamentos e orações desesperados, corpos violentamente abrindo caminho no meio de todo tipo de ser humano. Uma tentativa de fuga tumultuada e sem rumo, onde priorizava-se o inconsequente instinto de sobrevivência, simplesmente inutilizável.

De alguma forma, me senti imersa em tranquilidade e em pensamentos nostálgicos anestesiantes. Facilmente ultrapassei aquele mar de arrependimentos, incredualidade e pregações místicas, e foi com prazer que avistei o pico do Skydive, com seu seus gramados verde oliva aveludados enchendo meus olhos de sorrisos.

[ O Skydive tinha sempre sido meu lugar preferido. Defronte para o oceano e beirando o universo no céu acima, o ar no pico exalava um cheiro de liberdade e vida marinha. Com exceção dos dias festivos oficiais e do intervalo nas universidades - que enchiam as sombras das árvores do pico com pessoas barulhentas, copos descartáveis e pontas de cigarro mal apagadas - era ali na beira do precipício mais alto e mais aconchegante da cidade que eu realmente me sentia completamente em paz. ]

Já era possível observar a concentração de luz pulsando no horizonte, em parte mergulhada na água azul. Mas era impossível deixar de me incomodar com a média aglomeração de weirdos vestidos como alienígenas, pecadores prostrados na grama com as mãos erguidas em redenção, curiosos, conformados e esperançosos.

Enquanto eu observava atenciosamente as mudanças de cor e o significável crescimento daquela luz pulsante, dedos macios seguraram
firmemente a minha mão. [ Estava ali do meu lado uma das poucas pessoas com quem eu gostaria de compartilhar aquele momento ]

No horizonte oposto o céu apagava os últimos rastros do sol. A energia daquela “coisa” irreconhecível alguns quilômetros à frente começava a formigar na pele do meu rosto. Eu meio que previ: por dois ou três segundos aquela bola incandescente de ondas coloridas se apagou, nos segundos seguintes o ar e o chão tremeram e juro que cheguei a ouvir um assobio grave, profundo e metálico.

Me lembro de não ouvir mais grito algum, nenhum clamor dramático angustiado. Ninguém se movia.

Lembro de sentir aquilo tudo dentro de mim e de apertar com força a mão ao meu lado. Lembro que aquela bola de luz avançava fervorosamente pelo mar em nossa direção, agitando as águas antes calmas, enquanto eu fechava os olhos e tentava trazer à mente alguma música épica. Acho que uma lágrima chegou a percorrer minha face, mas do segundo seguinte não me recordo mais.

light explosion

Meu olhar sobre o mundo

Agosto 28, 2009

A verdadeira origem do universo

Percorrendo uma das ruas do centro da cidade encontrei essa imagem pintada numa parede.
Segue o conteúdo:

“Universo em desencanto – Imunização Racional
A verdadeira origem da humanidade: energia racional

De autoria do mundo racional, do racional superior, 1º volume”

 

Quem quer que seja que tenha pintado isso, merece meus créditos.

Meu olhar sobre o mundo

Agosto 15, 2009

familiab
little boyb
narguileb

homem no bancob

diferentes pessoas absorvendo a vida de diferentes formas.

Fui-me embora.

Julho 12, 2009

marie
Minha vida está rolando morro a baixo. Atropelando pedras, pessoas, sentimentos, trazendo à tona antigas mágoas, criando outras.
Meus vícios, noutras vezes tão preservados, me sufocam. Tento não pensar na imensa desordem lá fora e aqui dentro. No muro que por vezes penso estar construindo para afastar os outros.

Cansei. Cansei da vida, de querer tudo, de agradar gente, de ficar largada por aí, de ter que me preocupar, das ocupações, de palavras vazias, da miséria do meu ego, de abrir portas, de enfrentar pessoas. Não insista, não estou, não quero, não sei. Fui embora.