
All neon like…
Julho 5, 2008Sobre os ventos (das sensações)
Imagens passavam borradas pelos meus olhos e o vento fustigava meus cabelos. Com a cabeça descansando na janela e o pensamento viajando bem longe, não foi tão difícil ignorar os resmungos da minha companhia. Aliás, com aqueles barulhos dentro da minha cabeça (que ouso chamar de música) muita coisa me era imperceptível, incluindo palavras direcionadas à mim.
Eu a compreendia: estávamos cansadas, famintas, enlameadas, suadas e muito, muito longe de casa. Pegando a estrada numa van com pessoas que conhecemos mais ou menos 17 horas antes.
Ela estava à beira de um colapso nervoso, agravado pela minha calma… afinal, a única possibilidade era esperar – enquanto atravessávamos de um estado para outro – e, finalmente, chegar em casa. De nada adiantava se irritar só porque as coisas não aconteceram como pensávamos. Já que estávamos ali, por que não aproveitar, curtir a viagem, saborear esse acontecimento especial e mágico de olhos fechados e se deixar mergulhar nas lembranças…
Os ruídos do vento no meu ouvido criavam melodias, que eram o personagem prinicipal dos meus pensamentos. Nada mais me importava; eu tinha alcançado meu objetivo. O que mais me alfinetava era a saudade imensa de tudo: das luzes, da música, da noite escura, da magia… das pessoas. Aquele sol de fim de tarde há muito me incomodava, invadia o meu corpo e os meus olhos contra a minha vontade e me deixava extremamente melancólica…
(parte dois)









