Estou sozinho no escuro. Embarcado em redemoinhos pesados que naufragam minha consciência. Tateio pelo copo de café frio e amargo que acumula poeira no chão, ao lado do meu leito. Há vapor, angústia e cheiros fortes perfurando meus pulmões. O corpo dela sua, enrolado nos meus lençóis brancos e levemente perfumados.
Sinto uma vontade remota de chorar.
Sinto uma vontade remota de jogá-la escadas abaixo.
Estou sufocado e impaciente, comprimido por uma vida vazia e cinza; sinto meu peito se sacudir em espasmos que se tornam cada vez mais violentos e meu rosto se contorce em meio à dor e às lágrimas. De repente estou gritando meu desespero: ela desperta aterrorizada, tropeça pelo quarto recolhendo suas roupas espalhadas e foge para longe, deixando-me não tão desconfortavelmente a sós com a minha loucura.
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