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Meu olhar sobre o mundo.

Maio 24, 2009

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em Juazeiro.

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Maio 13, 2009

“é preciso encontrar o que se perdeu no tempo, alcançar a voz dos ventos. entregar-se ao que se acredita e lá tocar a música mais bonita, navegar de encontro ao sol e aprender na vida a desatar os nós”.

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Meu olhar sobre o mundo.

Maio 9, 2009

RIO TOUR 027

em uma das praias de Niterói.

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Como Vincent me conheceu

Abril 30, 2009

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Garoava enquanto eu voltava para casa naquela noite. Depois da estação de metrô tão cheia de pernas, as ruazinhas solitárias e fracamente iluminadas me deixavam melancólica e pensativa. O toc-toc dos meus passos ecoava nas paredes antigas dos edifícios à minha volta, parando automaticamente em frente ao número 58.

Meu pai apelidou o apartamento de “tenda árabe”. Creio ter sido por causa dos tecidos indianos pendurados no teto da sala, da coleção de elefantinhos em cima de uma prateleira, espelhos de todos os tamanhos disputando o espaço das paredes com fotos, desenhos e cartas, tapetes desparelhos cobrindo o assoalho e ar impregnado de incenso de jasmim – minha mãe sempre insistia em dizer que eu respirava veneno.

Liguei o rádio e sentei num almofadão defronte à janela, com um pote de palmito nas mãos. A vista era privilegiada: colado ao meu nariz erguia-se um prédio de muitos andares e muitos apartamentos. Era ótimo ficar ali observando todos os tipo imagináveis de seres humanos; muitas vezes eu até captava conversas – ou fragmentos delas – brigas, gritos, choros e, vez ou outra, barulhos estranhos.

Um rapaz me chamou a atenção. Segurava uma taça de qualquer coisa e permanecia de pé no meio da sala e só pude vê-lo por causa de alguns fachos de luz vindos da rua: todos os aposentos estavam imersos no breu. Me senti assistindo a um filme de suspense, enquando ele ia e vinha, sempre tateando as paredes e agindo de uma forma um pouquinho suspeita.

O filme acabou se tornando entediante, afinal sem iluminação não tinha graça alguma observar aquele cara.

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Toc, toc, toc, toc. O ar queimava a minha garganta enquanto eu voltava para casa em alguma outra noite, tentando enfiar as mãos o mais fundo possível nos bolsos do casaco. Virei uma esquina e foi a primeira coisa que vi: aquele cara andando e tateando as paredes, do outro lado da rua.

Pensei em voltar por outro caminho, morrendo de medo de um psicopata fatiador de pessoas. Aparentemente ele não tinha me percebido, então acelerei os passos no chão molhado. Depois disso foi tudo muito rápido.

Escorreguei, gritei e caí de costas na calçada com um baque surdo. Minha cabeça bateu forte no chão e, enquanto eu ouvia gritos de “O que houve?” e “Você está bem?”, visões de seqüestro e diferentes métodos de tortura passavam pela minha mente. Eu não conseguia respirar, nem levantar e sair correndo quando pés tropeçaram em mim e duas mãos me ajudaram a levantar.

Ele provavelmente tinha a minha idade, ou era uns dois, três anos mais velho. Ao contrário do homem esguio e estranho que eu imaginara, o rapaz era bonito e gentil, falava suavemente e,  enquanto perguntava o que tinha acontecido ou se eu estava machucada, reparei que seus olhos azuis não olhavam diretamente para mim, mas fixamente para algum ponto às minhas costas.

Ele me acompanhou até a porta do prédio, exatamente oposto ao prédio dele. Aquele olhar fixo – ora no meu braço, ora em algo invisível atrás de mim – me incomodava um pouco. Conversamos por poucos minutos antes de nos despedirmos.

Consegui ouvir, pouco antes da porta de entrada fechar:

- Me chamo Vincent.

E, assistindo através do vidro embaçado do saguão a sua travessia irregular e descompassada até a porta do outro lado da rua, eu finalmente percebi que ele era cego.

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Meu olhar sobre o mundo

Abril 25, 2009

Essa ótima idéia foi emprestada do Michel, servindo como incentivo para sair por aí toda semana de câmera na mão procurando inspirações. Como na prática isso não acontecerá com tanta frequência, algumas fotos serão um pouco mais antigas.

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Abril 20, 2009

- tô com muita vontade de rir.
- porquê?
- sei lá.. é tão estranho…
- o quê? você sentada aqui na cozinha tomando leite às 3 da manhã?
- é.

no dia em que decidi percorrer 2.000 km até o apartamento de um “desconhecido”.

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Before you’re lost between the notes

Março 27, 2009

era a minha favorita.
fechei os olhos e minha cabeça pendeu para trás; contemplei o vazio pincelado de cores erguido sobre mim ]
como se a mão dele eu segurasse e aquele dia meio estranho desaparecesse
e eu me perderia em meio às notas ]

como se abríssemos caminho em meio à multidão, naquele esforço contínuo constante
antes que dele eu fugisse, antes que eu tivesse tido demais, antes que eu me perdesse
e eu estava tão feliz em desaparecer, tudo se fundia em um
minha cabeça girava e girava e girava e as luzes brilhavam nos meus olhos ]

olhei para frente; ele olhou para trás
não só uma vez; não só duas vezes ]

na verdade eu só estava fingindo ser alguma outra coisa
na verdade eu nunca realmente estive lá
e antes que eu fugisse de você, antes que eu me perdesse em meio às luzes
antes que a sua mão eu segurasse ]

eu dei as costas e aquelas luzes me atravessaram
e você sussurrou em mim aquelas palavras gritadas
Come on and let it out
Before you run away from me
Before you’re lost between the notes
Just dance, dance, dance, dance…

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radioheadin Rio

Março 19, 2009

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la maladie la plus meurtrière

Março 2, 2009

neve.
estou aqui no topo do mundo e não enxergo nada. estou aqui no fundo de um funil monocromático e entediante. Esse ar tão frio faz minhas entranhas arderem, e só assim sinto a vida dentro de mim. Mas a vida não é entediante.
Afundo alguns centímetros no chão glaçado… meus olhos inexpressivos, antes tão atentos a qualquer simplório ou sórdido detalhe, escorregam pela desolação, através de um tão sem-graça olhar.

As horas em que eu refletia intensamente eram sempre às cinco e cinqüenta e três da tarde, sempre sentada em algum banco puído de ônibus, a cabeça encostada displicentemente na janela suja e sacolejante. O pôr-do-sol. As multi cores no céu e pássaros brancos. Rostos e trânsito e luzes e movimento e barulhos. Podia ouvir a conversa alheia sem nem precisar de desculpa. A vida começava ali, às cinco e cinqüenta e três da tarde.

Na verdade, a vida é um enigma. Mas nós nos acostumamos a esse enigma quando crescemos. Até que não nos acontece mais nada enigmático. O mundo se torna constante e previsível, e aí precisamos nos aprofundar inteiramente em nós mesmos para ver e vivenciar o mundo como mistério. O mundo, o mundo vira um hábito. Se começar a acontecer um milagre após o outro, ao final só poderemos estar indiferentes. Até que chega o dia em que não vemos mais que existe um mundo.

Aqui no topo do mundo é tudo muito branco. Muito branco e esse tudo não é nada; não há nada por aqui. Só branco. O mundo nem é tão plausível assim. É só moléculas. Microscópicas coisas sem vida. Na verdade, “mundo” não é nada mais do que a denominação para o espectro que nos rodeia. Vivemos nele e nem sabemos de onde ele veio. Na verdade, o mundo somos nós. E não sabemos de onde viemos. Despontamos do nada. A única coisa  que torna o mundo mais plausível do que um conto de fadas é que ele simplesmente existe. Simplesmente.

Em todos os anos que desde então se passaram eu nunca mais havia pensado nisso. Estava ocupada demais em viver. Aliás, pensar nisso é como adquirir uma doença mortal. Se desenvolve cada vez mais profundamente e dela não há como se libertar. Aí então você definha, se contorce em espasmos epilépticos. E suas moléculas sem vida retornam ao nada de onde viemos. Complexo. Vou tentar somente viver. Sem pensar. Pensar é como adquirir uma doença mortal.

 


Aqui do topo do mundo escorrem lágrimas de deslumbramento. Acho que essas lágrimas são minhas, mas elas estão congeladas dentro de mim.

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Janeiro 9, 2009

Estou sozinho no escuro. Embarcado em redemoinhos pesados que naufragam minha consciência. Tateio pelo copo de café frio e amargo que acumula poeira no chão, ao lado do meu leito. Há vapor, angústia e cheiros fortes perfurando meus pulmões. O corpo dela sua, enrolado nos meus lençóis brancos e levemente perfumados.

Sinto uma vontade remota de chorar.
Sinto uma vontade remota de jogá-la escadas abaixo.

Estou sufocado e impaciente, comprimido por uma vida vazia e cinza; sinto meu peito se sacudir em espasmos que se tornam cada vez mais violentos e meu rosto se contorce em meio à dor e às lágrimas. De repente estou gritando meu desespero: ela desperta aterrorizada, tropeça pelo quarto recolhendo suas roupas espalhadas e foge para longe, deixando-me não tão desconfortavelmente a sós com a minha loucura.

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