Arquivo | março, 2009

Before you’re lost between the notes

27 mar

era a minha favorita.
fechei os olhos e minha cabeça pendeu para trás; contemplei o vazio pincelado de cores erguido sobre mim ]
como se a mão dele eu segurasse e aquele dia meio estranho desaparecesse
e eu me perderia em meio às notas ]

como se abríssemos caminho em meio à multidão, naquele esforço contínuo constante
antes que dele eu fugisse, antes que eu tivesse tido demais, antes que eu me perdesse
e eu estava tão feliz em desaparecer, tudo se fundia em um
minha cabeça girava e girava e girava e as luzes brilhavam nos meus olhos ]

olhei para frente; ele olhou para trás
não só uma vez; não só duas vezes ]

na verdade eu só estava fingindo ser alguma outra coisa
na verdade eu nunca realmente estive lá
e antes que eu fugisse de você, antes que eu me perdesse em meio às luzes
antes que a sua mão eu segurasse ]

eu dei as costas e aquelas luzes me atravessaram
e você sussurrou em mim aquelas palavras gritadas
Come on and let it out
Before you run away from me
Before you’re lost between the notes
Just dance, dance, dance, dance…

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radioheadin Rio

19 mar

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la maladie la plus meurtrière

2 mar

neve.
estou aqui no topo do mundo e não enxergo nada. estou aqui no fundo de um funil monocromático e entediante. Esse ar tão frio faz minhas entranhas arderem, e só assim sinto a vida dentro de mim. Mas a vida não é entediante.
Afundo alguns centímetros no chão glaçado… meus olhos inexpressivos, antes tão atentos a qualquer simplório ou sórdido detalhe, escorregam pela desolação, através de um tão sem-graça olhar.

As horas em que eu refletia intensamente eram sempre às cinco e cinqüenta e três da tarde, sempre sentada em algum banco puído de ônibus, a cabeça encostada displicentemente na janela suja e sacolejante. O pôr-do-sol. As multi cores no céu e pássaros brancos. Rostos e trânsito e luzes e movimento e barulhos. Podia ouvir a conversa alheia sem nem precisar de desculpa. A vida começava ali, às cinco e cinqüenta e três da tarde.

Na verdade, a vida é um enigma. Mas nós nos acostumamos a esse enigma quando crescemos. Até que não nos acontece mais nada enigmático. O mundo se torna constante e previsível, e aí precisamos nos aprofundar inteiramente em nós mesmos para ver e vivenciar o mundo como mistério. O mundo, o mundo vira um hábito. Se começar a acontecer um milagre após o outro, ao final só poderemos estar indiferentes. Até que chega o dia em que não vemos mais que existe um mundo.

Aqui no topo do mundo é tudo muito branco. Muito branco e esse tudo não é nada; não há nada por aqui. Só branco. O mundo nem é tão plausível assim. É só moléculas. Microscópicas coisas sem vida. Na verdade, “mundo” não é nada mais do que a denominação para o espectro que nos rodeia. Vivemos nele e nem sabemos de onde ele veio. Na verdade, o mundo somos nós. E não sabemos de onde viemos. Despontamos do nada. A única coisa  que torna o mundo mais plausível do que um conto de fadas é que ele simplesmente existe. Simplesmente.

Em todos os anos que desde então se passaram eu nunca mais havia pensado nisso. Estava ocupada demais em viver. Aliás, pensar nisso é como adquirir uma doença mortal. Se desenvolve cada vez mais profundamente e dela não há como se libertar. Aí então você definha, se contorce em espasmos epilépticos. E suas moléculas sem vida retornam ao nada de onde viemos. Complexo. Vou tentar somente viver. Sem pensar. Pensar é como adquirir uma doença mortal.

 


Aqui do topo do mundo escorrem lágrimas de deslumbramento. Acho que essas lágrimas são minhas, mas elas estão congeladas dentro de mim.