Arquivo | fevereiro, 2010
25 fev

“acordei essa noite sem fôlego e sem norte, perdida na escuridão dos meus sonhos e na desorientação da vida vazia que preenche meus dias. Senti meu coração pulsando descontroladamente em algum lugar dentro de mim, esforçando-se para ser arrancado do meu peito, expelido pela minha boca e pelos meus poros. E cambaleante levantei-me para percorrer o silêncio fantasmagórico daqueles cômodos frios e solitários, sombra de antigas alegrias enterradas no passado. O copo de vinho guardado e velho tremia violentamente em minhas mãos, enquanto eu escorregava pela parede e caía esquálida no chão gelado. As noites de insônia transformavam minha existência num conjunto de experiências insignificantes, desimportantes e invisíveis. Em algum lugar distante ouvi o copo espatifando-se no chão. Minha camiseta branca coberta de sangue tinto e úmido. Com espasmos contínuos chorei toda a minha dor e desespero, minha saudade angustiante a me matar diariamente. Coberta de lágrimas levantei-me do chão – não sem certa dificuldade – tropecei até a porta e saí para o vento gélido da madrugada silenciosa. Corri para o breu, a esperança fortalecendo cada passo, almejando encontrar os braços dele em alguma esquina, qualquer bar ou até mesmo no metrô. Ele estava perdido, mas em algum canto do mundo, e eu não descansaria até encontrá-lo”.

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