Arquivo | maio, 2010

O que é o amor?

28 maio

Entre olhares desencontrados e a impessoalidade sólida e pesada que preenche os espaços – nem sempre vazios – entre as pessoas, a gente acaba esbarrando momentaneamente em estranhos.

Esse estranho poderia ser qualquer estranho, qualquer indiferença vagante pelas ruas, com olhos apáticos e perdidos entre outros tantos estranhos. Mas por obra de uma fração mínima de possibilidade, que existe tão somente para quebrar o círculo vicioso da vida transformando-a numa linha cheia de bifurcações, a gente se percebe e se inquieta. E passa a caminhar lado a lado.

O amor tem mãos que se estendem timidamente e seguram as nossas pelo caminho. Mãos que percorrem o nosso corpo e nos despem de vaidades, supostas verdades e pudores.

O amor entra por cada poro e absorve cada partícula das nossas essências, nos invade, nos preenche, nos transborda e inunda nossas vidas. Beija-nos ao adormecermos e nos abraça ao errarmos. É mistura de cheiros, calores, sabores, lágrimas e vontades, sorrisos, olhares, fluidos, toques, anseios, é a brisa que passeia pela noite e nos acaricia a face, é o desejo que nos enterra as unhas e entranha-se abruptamente,

é vontade insaciável de nós, humanos, nos sentirmos cada vez mais vivos

e cada vez menos perdidos.