Arquivo | novembro, 2010

Estações.

14 nov

A vida se divide em ciclos. Entre sensações eufóricas e a inércia do vazio. Muitos ciclos nos arrastam para o desespero, num movimento mudo e sombrio que se entrincheira em nosso âmago e nos larga à mercê do sofrimento.
Noutras ocasiões, ficamos suspensos na surrealidade transbordante que a vida por vezes nos proporciona. Mergulhamos em segundos eternos com olhos aguados de felicidade, tão leves que o peso da existência se esvai.
Às vezes saímos de um ciclo completamente devastados, com os joelhos (e o coração) esfolados de diversas quedas e sem a menor vontade de nos erguermos. Também podemos transpassar sua linha de forma suave e despercebida ao entrar num novo momento, em outro ciclo. Ou, talvez, um baque surdo demonstre que caímos bruscamente numa realidade diferente daquela presenciávamos.
Para além do oceano, os ciclos da vida dividem-se em primavera, verão, outono, inverno, primavera. Alguns se aproximam sussurrantes no vento, anunciando apenas uma nuvem passageira de medos e incertezas ou trazendo neve espessa e gelada. Outros surgem em tímidos raios de sol reconfortantes que se expandem por todo o nosso ser, nos preenchendo de sensações mágicas e aquietando mente e alma, até então, efervescentes.
Por diversas vezes me perdi no emaranhado de inícios e fins de tais ciclos. Alguns acabam fortemente entrelaçados e não há como distinguir um de outro sem alguma conturbação.
Já me senti profundamente enterrada na neve, com olhos silenciosos e mãos apáticas, terrivelmente entristecida com o porvir que julgava já estabelecido e precisamente definido para mim. Mas pude perceber também (não sem algum esforço) que na vida nada é estático, e deixei sensações inicialmente incertas se acenderem dentro de mim para se transformarem em ciclos sublimes inteiros. Segundos passam e as coisas boas vão e vem. Cabe a nós decidir quanto tempo elas permanecerão acesas.
O que quero dizer com isso tudo (e isso você já sabe) é que a vida é uma grande incerteza. A cada momento sofremos transformações que, inconscientemente ou não, nos levam a escolher determinados caminhos. Eu morro de medo disso. De acabar perdendo o controle desse furacão dentro de mim e de não saber para onde essas transformações irão te levar.

Mas temos a escolha de viver cada ciclo individual juntos, atravessando bifurcações ou qualquer que seja o obstáculo a se interpor nesse caminho que passamos a percorrer lado a lado

6 nov

sinto sua falta. em mim há um vazio que não se preenche. não importa o que eu faça, onde quer que eu vá, meus olhos não sorriem mais da mesma forma. no abismo que separa a minha alma da tua só encontro saudades mergulhadas em lágrimas.

quando a noite se avizinha, trazendo o silêncio e a solidão, fecho os olhos e me sinto ao teu lado. pois tudo em mim ficou contigo, esparramado nos ventos do passado, e só resta a minha alma impregnada dos teus cuidados e carinhos.

antes não tivéssemos os caminhos cruzados. mas felicidade eu não conheceria, nem esse amor todo eu viveria, desejando-te cada vez mais, para te cuidar e fazer rir todos os dias, meus dedos leves no teu rosto, de olhos fechados com um grito de felicidade comprimido enquanto você me envolve.

a delicadeza dos teus olhos não me abandona. concentração já não conheço mais, vagueio pelas ruas procurando a tua sombra e acordo de sonhos terríveis durante a noite procurando teus braços para me acalentar.

se um dia a roda da vida te trouxer outras alegrias, não me esqueças. pois hei de perguntar se ainda me amas, se a ilusão dos meus olhos te engana,
que para sempre o teu sorriso estará guardado

dentro do meu coração.