Arquivo | life RSS feed for this section

Estações.

14 nov

A vida se divide em ciclos. Entre sensações eufóricas e a inércia do vazio. Muitos ciclos nos arrastam para o desespero, num movimento mudo e sombrio que se entrincheira em nosso âmago e nos larga à mercê do sofrimento.
Noutras ocasiões, ficamos suspensos na surrealidade transbordante que a vida por vezes nos proporciona. Mergulhamos em segundos eternos com olhos aguados de felicidade, tão leves que o peso da existência se esvai.
Às vezes saímos de um ciclo completamente devastados, com os joelhos (e o coração) esfolados de diversas quedas e sem a menor vontade de nos erguermos. Também podemos transpassar sua linha de forma suave e despercebida ao entrar num novo momento, em outro ciclo. Ou, talvez, um baque surdo demonstre que caímos bruscamente numa realidade diferente daquela presenciávamos.
Para além do oceano, os ciclos da vida dividem-se em primavera, verão, outono, inverno, primavera. Alguns se aproximam sussurrantes no vento, anunciando apenas uma nuvem passageira de medos e incertezas ou trazendo neve espessa e gelada. Outros surgem em tímidos raios de sol reconfortantes que se expandem por todo o nosso ser, nos preenchendo de sensações mágicas e aquietando mente e alma, até então, efervescentes.
Por diversas vezes me perdi no emaranhado de inícios e fins de tais ciclos. Alguns acabam fortemente entrelaçados e não há como distinguir um de outro sem alguma conturbação.
Já me senti profundamente enterrada na neve, com olhos silenciosos e mãos apáticas, terrivelmente entristecida com o porvir que julgava já estabelecido e precisamente definido para mim. Mas pude perceber também (não sem algum esforço) que na vida nada é estático, e deixei sensações inicialmente incertas se acenderem dentro de mim para se transformarem em ciclos sublimes inteiros. Segundos passam e as coisas boas vão e vem. Cabe a nós decidir quanto tempo elas permanecerão acesas.
O que quero dizer com isso tudo (e isso você já sabe) é que a vida é uma grande incerteza. A cada momento sofremos transformações que, inconscientemente ou não, nos levam a escolher determinados caminhos. Eu morro de medo disso. De acabar perdendo o controle desse furacão dentro de mim e de não saber para onde essas transformações irão te levar.

Mas temos a escolha de viver cada ciclo individual juntos, atravessando bifurcações ou qualquer que seja o obstáculo a se interpor nesse caminho que passamos a percorrer lado a lado

Anúncios
6 nov

sinto sua falta. em mim há um vazio que não se preenche. não importa o que eu faça, onde quer que eu vá, meus olhos não sorriem mais da mesma forma. no abismo que separa a minha alma da tua só encontro saudades mergulhadas em lágrimas.

quando a noite se avizinha, trazendo o silêncio e a solidão, fecho os olhos e me sinto ao teu lado. pois tudo em mim ficou contigo, esparramado nos ventos do passado, e só resta a minha alma impregnada dos teus cuidados e carinhos.

antes não tivéssemos os caminhos cruzados. mas felicidade eu não conheceria, nem esse amor todo eu viveria, desejando-te cada vez mais, para te cuidar e fazer rir todos os dias, meus dedos leves no teu rosto, de olhos fechados com um grito de felicidade comprimido enquanto você me envolve.

a delicadeza dos teus olhos não me abandona. concentração já não conheço mais, vagueio pelas ruas procurando a tua sombra e acordo de sonhos terríveis durante a noite procurando teus braços para me acalentar.

se um dia a roda da vida te trouxer outras alegrias, não me esqueças. pois hei de perguntar se ainda me amas, se a ilusão dos meus olhos te engana,
que para sempre o teu sorriso estará guardado

dentro do meu coração.

“A vida é

3 out

como uma queda. É como cair, cair num buraco muito alto, onde nem dá pra ver o fundo, mas temos certeza de que ele existe. A vida é uma queda, e a vertigem é melhor do que qualquer queda. Quem sabe a vertigem de uma vida é essa sucessão incontrolada de desejos, medos, anseios, alegrias e toda essa espécie de sentimentos que, deslumbrados, nos esforçamos em entender e controlar?

Mas por mais que controlemos a nossa queda, ela sempre resultará no mesmo encerramento: nos esborrachamos lá embaixo. Logo, por que não encarar o nosso fim, inclinando a cabeça para baixo, fitando corajosamente o abismo que se revela, fazendo de nossa vertigem algo intenso, válido, perturbador?

Porque não fazer da morte a obra-prima da vida, o desfecho glorioso de um livro complicado e difícil de entender, mas que contudo nos leva ao riso e ao choro, à dor e ao gozo, à paz e ao desespero?”

4 set

Às vezes, nossa vida é colocada de cabeça para baixo, para que possamos aprender a viver de cabeça para cima.


Tumblr_l7yb2sehcn1qcfytko1_400_large

23 ago

Je t’oublierai.

O que é o amor?

28 maio

Entre olhares desencontrados e a impessoalidade sólida e pesada que preenche os espaços – nem sempre vazios – entre as pessoas, a gente acaba esbarrando momentaneamente em estranhos.

Esse estranho poderia ser qualquer estranho, qualquer indiferença vagante pelas ruas, com olhos apáticos e perdidos entre outros tantos estranhos. Mas por obra de uma fração mínima de possibilidade, que existe tão somente para quebrar o círculo vicioso da vida transformando-a numa linha cheia de bifurcações, a gente se percebe e se inquieta. E passa a caminhar lado a lado.

O amor tem mãos que se estendem timidamente e seguram as nossas pelo caminho. Mãos que percorrem o nosso corpo e nos despem de vaidades, supostas verdades e pudores.

O amor entra por cada poro e absorve cada partícula das nossas essências, nos invade, nos preenche, nos transborda e inunda nossas vidas. Beija-nos ao adormecermos e nos abraça ao errarmos. É mistura de cheiros, calores, sabores, lágrimas e vontades, sorrisos, olhares, fluidos, toques, anseios, é a brisa que passeia pela noite e nos acaricia a face, é o desejo que nos enterra as unhas e entranha-se abruptamente,

é vontade insaciável de nós, humanos, nos sentirmos cada vez mais vivos

e cada vez menos perdidos.

inevitable

20 abr

me escondo atrás de sorrisos. não consigo mentir com os olhos. bebo leite com qualquer comida. sinto falta do passado e do futuro. muito consumista. sempre tenho um livro na bolsa. assino mais revistas do que posso ler. ando descalça. banho de chuva. falo pouco e penso muito. coleção de blocos de anotação. tenho uma péssima memória. não tenho noção de tempo. gosto de colocar a mão na minha comida. prefiro suco. fumaça, só a do incenso. trabalho para viajar. gosto de perguntas. a noite é muito mais interessante. coleção de pedras do mundo. choro com músicas. roubo curingas de baralho. medo do escuro. olhar para o céu me faz pensar na vida. olhar para estrelas me faz pensar na morte. queria ser atriz ou piloto da Força Aérea. às vezes melancólica. o calor me desconcentra. muito curiosa. coleção de caixas. voz fina. criatividade. dançar é a minha terapia. converso sozinha. dou bom-dia a estranhos. me apaixono com o olhar. fascinação por culturas exóticas. sextas-feiras, cerveja, sofá, música boa e meu pai. queria morar na floresta. me sinto viva com o frio. aversão a hipocrisia. aversão a discussões. obsessão por correção ortográfica alheia. sinto fome o tempo inteiro. livre. storymaker. muito carinhosa. muito fria. praia no fim da tarde. não sei cozinhar. atração emocional por coisas bizarras. tímida. choro com pensamentos. desastrada. quebro coisas que não sei usar. transcrevo sonhos. loja de livros. observadora. capuccino & pão de queijo. war & amigos. música & amigos. minha família é o que eu sou. risada non-stop. delicadeza. peoplewatcher. detalhes fazem diferença. amor por viver.