23 ago

Je t’oublierai.

O que é o amor?

28 maio

Entre olhares desencontrados e a impessoalidade sólida e pesada que preenche os espaços – nem sempre vazios – entre as pessoas, a gente acaba esbarrando momentaneamente em estranhos.

Esse estranho poderia ser qualquer estranho, qualquer indiferença vagante pelas ruas, com olhos apáticos e perdidos entre outros tantos estranhos. Mas por obra de uma fração mínima de possibilidade, que existe tão somente para quebrar o círculo vicioso da vida transformando-a numa linha cheia de bifurcações, a gente se percebe e se inquieta. E passa a caminhar lado a lado.

O amor tem mãos que se estendem timidamente e seguram as nossas pelo caminho. Mãos que percorrem o nosso corpo e nos despem de vaidades, supostas verdades e pudores.

O amor entra por cada poro e absorve cada partícula das nossas essências, nos invade, nos preenche, nos transborda e inunda nossas vidas. Beija-nos ao adormecermos e nos abraça ao errarmos. É mistura de cheiros, calores, sabores, lágrimas e vontades, sorrisos, olhares, fluidos, toques, anseios, é a brisa que passeia pela noite e nos acaricia a face, é o desejo que nos enterra as unhas e entranha-se abruptamente,

é vontade insaciável de nós, humanos, nos sentirmos cada vez mais vivos

e cada vez menos perdidos.

inevitable

20 abr

me escondo atrás de sorrisos. não consigo mentir com os olhos. bebo leite com qualquer comida. sinto falta do passado e do futuro. muito consumista. sempre tenho um livro na bolsa. assino mais revistas do que posso ler. ando descalça. banho de chuva. falo pouco e penso muito. coleção de blocos de anotação. tenho uma péssima memória. não tenho noção de tempo. gosto de colocar a mão na minha comida. prefiro suco. fumaça, só a do incenso. trabalho para viajar. gosto de perguntas. a noite é muito mais interessante. coleção de pedras do mundo. choro com músicas. roubo curingas de baralho. medo do escuro. olhar para o céu me faz pensar na vida. olhar para estrelas me faz pensar na morte. queria ser atriz ou piloto da Força Aérea. às vezes melancólica. o calor me desconcentra. muito curiosa. coleção de caixas. voz fina. criatividade. dançar é a minha terapia. converso sozinha. dou bom-dia a estranhos. me apaixono com o olhar. fascinação por culturas exóticas. sextas-feiras, cerveja, sofá, música boa e meu pai. queria morar na floresta. me sinto viva com o frio. aversão a hipocrisia. aversão a discussões. obsessão por correção ortográfica alheia. sinto fome o tempo inteiro. livre. storymaker. muito carinhosa. muito fria. praia no fim da tarde. não sei cozinhar. atração emocional por coisas bizarras. tímida. choro com pensamentos. desastrada. quebro coisas que não sei usar. transcrevo sonhos. loja de livros. observadora. capuccino & pão de queijo. war & amigos. música & amigos. minha família é o que eu sou. risada non-stop. delicadeza. peoplewatcher. detalhes fazem diferença. amor por viver.

25 fev

“acordei essa noite sem fôlego e sem norte, perdida na escuridão dos meus sonhos e na desorientação da vida vazia que preenche meus dias. Senti meu coração pulsando descontroladamente em algum lugar dentro de mim, esforçando-se para ser arrancado do meu peito, expelido pela minha boca e pelos meus poros. E cambaleante levantei-me para percorrer o silêncio fantasmagórico daqueles cômodos frios e solitários, sombra de antigas alegrias enterradas no passado. O copo de vinho guardado e velho tremia violentamente em minhas mãos, enquanto eu escorregava pela parede e caía esquálida no chão gelado. As noites de insônia transformavam minha existência num conjunto de experiências insignificantes, desimportantes e invisíveis. Em algum lugar distante ouvi o copo espatifando-se no chão. Minha camiseta branca coberta de sangue tinto e úmido. Com espasmos contínuos chorei toda a minha dor e desespero, minha saudade angustiante a me matar diariamente. Coberta de lágrimas levantei-me do chão – não sem certa dificuldade – tropecei até a porta e saí para o vento gélido da madrugada silenciosa. Corri para o breu, a esperança fortalecendo cada passo, almejando encontrar os braços dele em alguma esquina, qualquer bar ou até mesmo no metrô. Ele estava perdido, mas em algum canto do mundo, e eu não descansaria até encontrá-lo”.

11 dez

There is a dark shadow hovering over the sea, just right in front of where I used to stargaze and feel the morning breeze caressing my face. Here in my land, after a long period of stable peace, you suddenly appeared coming out of the misty forest – not hiding yourself among the tree branches, but walking unhesitatingly and fearless to the tree.

You have become this shadow that darkens my dreams. You have made me feel cold even when I’m sitting on the edge of the cliff while whatching the sunset. My dearest tree land seems no longer safe to keep myself quiet.

I find myself looking around when you call me. But your hidden.

Wake up and smell the coffee

30 nov

Meu pai definitivamente influenciou o meu gosto musical. Claro que sempre houve divergências: ele desdenha minha paixão visceral por Radiohead e as músicas fraquinhas do Muse (como ele mesmo diz). Já eu, não suporto o lirismo eclesiástico (leia-se música de igreja) de umas composições enfadonhas do Bach, que ele adora, nem as cantoras de blues que o acompanham em noites de sexta-feira.

Mas essa relação trouxe contribuições significativas para a minha vida. The Cranberries foi uma delas. Aos 10 anos de idade eu cantava intensamente “whatsinióê, inióêê” – que seria What’s in your head de Zombie. Aos 16, em minha crise depressiva adolescente, ouvi, decorei e dancei todas as músicas deles durante um ano e meio, nonstop. Apesar da excentricidade, Dolores O’Riordan era incrível. Junto com Mike Hogan, Noel Hogan e Fergal Lawler, eles me deixavam ensandecida ao assistir Live in Paris, o único DVD da banda que eu tinha.

O que me entristecia era a certeza de que os quatro não voltariam mais a tocar. Eu jamais teria a oportunidade de gritar as letras de Empty, Animal Instinct, Linger e Promises na frente do palco. Até ontem.

Acordei e me deparei com uma das melhores notícias da minha vida. Depois de mais de seis anos separados, finalmente Cranberries volta à ativa e virá ao Brasil no início de 2010 para quatro apresentações: Rio de Janeiro, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre.

Já conto os dias restantes. This is the day.

If today were Friday

25 nov

Eu assistiria ao pôr do sol em cima de algum prédio;
Faria amizade com desconhecidos;
Jogaria tinta colorida nas paredes do quarto;
Compraria algum vinho francês, camembert e truta salmonada para comer sozinha, sem me preocupar em ficar sem dinheiro;
Alugaria 10 filmes para assistir de uma só vez;
Adotaria um filhote abandonado;
Viajaria para um país aleatório do mundo;
Pintaria o cabelo de azul;
Enviaria cartas para pessoas que não me conhecem;
Dançaria ballet para motoristas no sinal vermelho;
Me vestiria de Darth Vader para ir trabalhar.